Pelo facto de não haver na família restrita ou alargada da criança ou
jovem institucionalizado nenhum elemento que o possa proteger.
Muitas delas encontram-se em instituições sem qualquer rectaguarda
familiar, tornando-as mais vulneráveis a todo o tipo de maus tratos, onde
se inclui, naturalmente, a falta de afecto.
Mesmo que a instituição lhe proporcione todas as condições
físicas para o seu desenvolvimento, muitas vezes, até pelo número
exagerado de utentes, não estabelece relações afectivas duradoiras que
lhe permita um crescimento emocional e relacional normal. Essa ausência
de afecto é, em termos psicológicos, o protótipo de relações futuras.
Sabemos também que muitos jovens ao atingirem a maioridade têm de
abandonar a instituição e muitas vezes sem um projecto de vida,
sem família, tornando-se mais permeáveis à marginalidade.
A literatura e a nossa experiência têm demonstrado que o ciclo de
maus tratos pode repetir-se se não houver factores protectores que o
evitem. Neste caso, o afecto de uma família será o vínculo que os
protegerá para sempre.